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Por Instituto Escolhas
12 fevereiro 2026
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Recuperar a vegetação em assentamentos no Piauí resultará em mais alimento, emprego e renda, aponta estudo
Com a maior parte de seu território localizada no semiárido, em uma área de transição entre a Caatinga e o Cerrado, o Piauí é um estado vulnerável aos processos de degradação ambiental e desertificação, o que se reflete na redução da disponibilidade de água e no aumento dos riscos à produção de alimentos.
Em novo estudo da série sobre os benefícios da recuperação produtiva de áreas desmatadas, o Instituto Escolhas mostra que, nos assentamentos da reforma agrária no Piauí, a implantação de sistemas agroflorestais (SAFs) em áreas de preservação permanente (APPs) pode colaborar no enfrentamento desse cenário.
A recuperação de APPs contribui para a preservação de recursos hídricos, já que a maior parte das áreas passíveis de recuperação está no entorno de fontes d’água. “Nosso estudo aponta que, por meio da recomposição dessas áreas com sistemas agroflorestais, é possível não apenas proteger as águas, mas também produzir frutas, verduras e legumes”, afirma Rafael Giovanelli, gerente de Pesquisa do Instituto Escolhas.
Os 477 assentamentos da reforma agrária no Piauí ocupam 1,2 milhão de hectares, o que corresponde a 5% da área total do estado. Estão em áreas de preservação permanente 73.190 hectares, dos quais 11.900 estão desmatados e podem ser recuperados produtivamente por meio de sistemas agroflorestais.
Segundo o estudo, a recuperação dessas áreas tem potencial para gerar 53,4 mil empregos, produzir 2,87 milhões de toneladas de alimentos e remover 965,5 mil toneladas de CO2 da atmosfera. Com um investimento de R$ 235 milhões nos três primeiros anos e de R$ 965 milhões ao longo de 30 anos, a receita líquida prevista é de R$ 2,93 bilhões, ou seja, mais de três vezes o valor investido.
“Se implantada, essa proposta terá um impacto social, ambiental e financeiro bastante positivo para a região. No contexto da crise climática e do agravamento da desertificação, recuperar a vegetação do semiárido é fundamental. O poder público precisa priorizar medidas como essa”, afirma o pesquisador.
Giovanelli cita como exemplo de iniciativa pública positiva a aprovação pela Câmara dos Deputados do PL 1990/2024, que institui a Política Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga. De autoria da senadora Janaína Farias (PT-CE), elaborado com apoio técnico do Instituto Escolhas, o projeto está na etapa final de deliberação pelo Senado.
Clique aqui e saiba mais sobre o estudo.
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