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Por Instituto Escolhas
03 março 2020
5 min de leitura
Revista 29horas traz o perfil Sergio Leitão, fundador Instituto Escolhas
Revista 29 Horas – Especial Dia Mundial da Água
A missão nobre de enriquecer o debate
Fundado pelo advogado e ambientalista Sergio Leitão, há 5 anos o Instituto Escolhas busca gerar estudos sobre os temas da economia e do meio ambiente
Por Andrea Vialli
Fundado em 2015, o Instituto Escolhas vem se destacando pela qualidade dos estudos que publica, sempre relacionando questões sociais e ambientais da atualidade com dados e análises econômicas para viabilizar o desenvolvimento sustentável. A organização nasceu da inquietude do advogado Sergio Leitão, um dos mais proeminentes representantes do movimento social e ambiental no Brasil, com uma carreira construída em grandes ONGs como Greenpeace, Instituto Socioambiental (ISA) e no setor público, como no Museu Nacional, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Ministério da Justiça.
Ao participar de grandes embates envolvendo o movimento ambientalista e outras forças da sociedade, Leitão entendeu que havia uma lacuna no debate, que era justamente a produção de análises econômicas que trouxesse elementos que justificassem temas como a redução do desmatamento, a conservação da água e a transição para a economia de baixo carbono. Um exemplo foi a votação do Novo Código Florestal (Lei Nº 12.651/2012) que opôs representantes do agronegócio e do ambientalismo nas discussões sobre a atualização da lei que regulamenta a conservação das florestas e a produção agrícola no país.
“Nessas discussões, o setor do agronegócio passou a manejar suas informações de uma maneira mais hábil, ao convencer a sociedade do quanto a produção de alimentos era relevante para o Brasil. Isso me levou ao questionamento se nós, ambientalistas, não tínhamos limitações no debate que precisariam ser superadas para se lidar com uma nova etapa do movimento”, diz Leitão.
Para ele, a sociedade brasileira está convencida da importância do meio ambiente, que se reflete nas instâncias de cuidado com o tema nas esferas do poder público e nas empresas e no legado que foi construído desde a Constituição de 1988 – a base de legislação sobre o tema, as Unidades de Conservação e a demarcação de Terras Indígenas. Mas faltava aos ambientalistas dizerem como seria, quando seria e quais os custos dessa transição para o desenvolvimento sustentável.
Assim, o Instituto Escolhas passou a atuar em duas principais frentes: na produção de análises e estudos que identificam os custos econômicos, sociais e ambientais dos projetos públicos e privados em temas como energia, florestas, oceanos, produção de alimentos e urbanização; e na promoção do conhecimento científico na área de Economia e Meio Ambiente. Para desempenhar o primeiro papel, a organização reuniu, em três Conselhos – Diretor, Científico e Fiscal – nomes de peso como os economistas Marcos Lisboa e Bernardo Appy, os cientistas políticos Ricardo Abramovay e Ricardo Sennes e a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, entre outros. Os estudos, realizados pela equipe do Escolhas e pesquisadores associados, têm gerado alta repercussão na mídia e debates no Congresso.
Um dos mais recentes abordou o tema da água e o setor elétrico, frente a um cenário de escassez. A equipe do Instituto Escolhas debruçou-se sobre o aumento dos conflitos pelo uso da água no país e a necessidade de se precificar corretamente os recursos hídricos, especialmente em um contexto de mudança no regime de chuvas que está sendo agravado pelas mudanças climáticas. O documento traz uma análise das bacias dos rios São Francisco e Jaguaribe (CE) e da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e mostra dados reveladores: a escassez de água na Bacia do rio São Francisco traria um prejuízo de R$ 2,5 bilhões por ano para a geração de energia elétrica, com consequências diretas para a tarifa de energia e o bolso dos consumidores. Já a disputa pela água na bacia do rio Xingu, no Pará, traria um prejuízo de R$ 2 bilhões/ano pela perda da energia firme que seria gerada em Belo Monte.
Entre outros temas contemplados por estudos recentes do Instituto Escolhas, estão uma nova proposta para a economia do Amazonas, com base na bioeconomia e dinamização do parque industrial da Zona Franca de Manaus; e um estudo sobre o volume de subsídios e a pegada de carbono da produção de carne no Brasil. “Quando você traz dados para um debate, você organiza o eixo da discussão”, diz Leitão.
Para a segunda frente de atuação, foi criada a cátedra de Economia e Meio Ambiente. Após um ano de atuação, em 2016, os fundadores do Instituto Escolhas confirmaram sua suspeita inicial de que havia poucos centros de estudo e pesquisadores debruçados sobre esses dois temas. “Víamos um esforço isolado de alguns pesquisadores, então a solução encontrada foi estimular, por meio de bolsas de estudos para alunos de mestrado e doutorado, a produção científicas nessas áreas”, afirma Leitão. Com isso, a cátedra tem o objetivo de contribuir para ampliar o número de pesquisadores que abordem a complexidade dos temas ambientais de forma objetiva. Desde o lançamento do programa, já foram realizados três editais que reuniram 17 bolsistas em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Esalq-USP, FEA-USP, UFPE, UFOP e Universidade de Potsdam, Alemanha. As inscrições para o edital 2020 encerraram-se em janeiro.
Para Leitão, o caminho escolhido pelo Instituto Escolhas tem sido fundamental justamente em um momento em que a questão ambiental entrou no centro do debate público do Brasil atual, deflagrado pelas queimadas na Amazônia e o derramamento de óleo no litoral nordestino. “Em um momento em que os temas socioambientais estão inseridos em uma guerra de narrativas, muitas vezes ideológica, o papel do Instituto Escolhas é trazer dados qualificados para o debate, e deve seguir nessa direção”.
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