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Por Instituto Escolhas
12 fevereiro 2026
3 min de leitura
Caatinga: desmatamento e recuperação da vegetação
Vegetação da Caatinga no Rio Grande do Norte
A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro. Localizada na região nordeste do país e na faixa norte de Minas Gerais, ocupa uma área de cerca de 862.818km², o equivalente a 10% do território nacional. A Caatinga é lar de 32 milhões de brasileiros e de uma rica biodiversidade.
O nome “Caatinga” tem origem Tupi-Guarani e significa “mata branca”, uma referência ao aspecto da vegetação durante a estação seca, quando as folhas caem e apenas os troncos brancos e brilhosos das árvores e arbustos permanecem na paisagem.
Desmatamento na Caatinga
Nos últimos anos, o desmatamento na Caatinga tem aumentado principalmente devido à expansão da agropecuária, à extração de madeira para produção de carvão vegetal e, mais recentemente, à implantação de empreendimentos de energia eólica e solar. Esta devastação acelera processos de desertificação, ameaça a biodiversidade e o equilíbrio ambiental do bioma.
O Brasil já perdeu 34 milhões de hectares dos 82,6 milhões de hectares da Caatinga, segundo o Ibama.
Consequências do desmatamento na Caatinga
A conservação da Caatinga está intimamente associada ao combate à desertificação, processo de degradação ambiental que ocorre em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas, causado por uma combinação de fatores naturais e atividades humanas, como o desmatamento.
Esse fenômeno resulta na perda da fertilidade e umidade do solo, transformando-o em terra estéril e improdutiva, afetando a vegetação e podendo levar à formação de áreas desérticas.
Em 2022, 62% das áreas susceptíveis à desertificação no Brasil estavam em zonas originalmente ocupadas pela Caatinga, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Recuperação da Caatinga
A restauração produtiva da vegetação nativa da Caatinga e de toda a área desmatada na região nordeste é um caminho promissor para combater a desertificação. Além da recuperar áreas degradadas, pode gerar alimentos e renda, contribuir para a proteção e recuperação de fontes hídricas, além de capturar carbono da atmosfera e amenizar as já altas temperaturas da região.
Um estudo do Instituto Escolhas mostrou que restaurar 1 milhão de hectares no Nordeste, especialmente nas áreas de preservação permanente (APP) e reservas legais (RL) da Caatinga, poderia gerar para o Brasil 465,8 mil empregos, remover 702 milhões de toneladas de carbono da atmosfera e viabilizar a produção de 7,4 milhões de toneladas de frutas, verduras e hortaliças.
No dia 10 de junho, o presidente Lula sacionou a Lei nº15.430, que institui a Política Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga. Com a sanção, a Caatinga passa a ser o prnimeiro bioma brasileiro a contar com uma lei específica voltada à recuperação de sua vegetação nativa.
Para viabilizar a restauração do bioma, o projeto cria o Programa Nacional de Recuperação da Vegetação da Caatinga, que prevê a participação de comunidades locais nas atividades de restauração e a capacitação de trabalhadores para atuação em cadeias produtivas sustentáveis.
De autoria da senadora Janaína Farias (PT/CE) e elaborado com apoio técnico do Instituto Escolhas, o texto estabelece quatro objetivos: recuperar áreas desmatadas na Caatinga; ampliar a produção sustentável de alimentos; aumentar a segurança hídrica e melhorar a qualidade da água no bioma; e estimular a bioeconomia e o manejo florestal sustentável.
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