Texto
Notícias
Por Instituto Escolhas
03 dezembro 2020
4 min de leitura
Imprensa repercute novo estudo do Escolhas sobre propostas para alavancar o sistema de concessões florestais no país
Em primeira mão, o jornal Valor Econômico trouxe tópicos abordados no estudo “Destravando a agenda da bioeconomia: soluções para impulsionar as concessões florestais no Brasil”. O documento traz propostas de modernização da Lei de Gestão das Florestas Públicas (LGFB), que regulamenta exploração econômica das florestas de modo sustentável.
O objetivo dessas proposições é garantir agilidade, flexibilidade e atratividade econômica aos contratos de concessões florestais, além de incentivar novas formas sustentáveis da economia da floresta. Lançado no dia 02/12, o estudo serviu como subsídio para um Projeto de Lei enviado ao Congresso e deverá ser base para debate sobre alterações no marco regulatório do setor.
A coordenadora de Produtos e Projetos do Escolhas, Teresa Rossi, falou ao jornal sobre o assunto: “A partir do momento em que existe um marco legal adequado para atrair investidores, muda o cálculo de viabilidade econômica das concessões. Abre-se um leque enorme de iniciativas sustentáveis”
Confira abaixo matéria completa:
Arma antidesmatamento, concessão florestal patina
Modernização da lei será analisada para retirar barreiras
Por Daniel Rittner — De Brasília
02/12/2020 05h00
Um dos instrumentos desenhados pelo poder público para impulsionar a bioeconomia e combater o desmatamento ilegal, as concessões de florestas ainda patinam no Brasil e têm sua expansão travada por barreiras regulatórias. Na tentativa de superar o impasse, a Câmara dos Deputados começa a avaliar um novo marco legal do setor nos próximos dias.
No primeiro plano anual de outorgas, apresentado em 2007, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) apontou um potencial de 43,7 milhões de hectares passíveis de concessão à iniciativa privada para o manejo sustentável de recursos naturais. Isso corresponde a cerca de 9% da cobertura florestal no país, sobretudo em terras públicas não designadas – ou seja, que não foram demarcadas como indígenas, quilombolas ou unidades de conservação e estão mais vulneráveis à ocupação irregular.
Treze anos depois do primeiro plano de outorgas, os números são pífios: apenas 1,050 milhão de hectares foram efetivamente concedidos. É o equivalente a 2,4% do apontado originalmente.
São 18 projetos em andamento, todos na Amazônia, dois dos quais – ambos na Floresta Nacional do Crepori (PA) – foram suspensos judicialmente antes do início das operações. O governo Jair Bolsonaro assinou um único novo contrato.
Um amplo estudo sobre o assunto foi feito pelo Instituto Escolhas, associação civil sem fins econômicos, para investigar as razões da marcha lenta. O estudo, ainda inédito e obtido pelo Valor, chega a várias conclusões: há rigidez excessiva nos contratos, proibição para o desenvolvimento de atividades que podem gerar retorno econômico à concessionária e benefícios socioambientais, conflito de competências no monitoramento contratual,
concorrência com fornecedores ilegais.
O atual modelo de negócios permite a exploração de produtos não madeireiros (borracha, frutas, castanhas) e ecoturismo. Além disso, as empresas responsáveis pela gestão das florestas podem fazer um manejo sustentável e de impacto reduzido, com a extração média de cinco árvores por hectare. Há manutenção da estrutura florestal e recuperação da mesma área com o estoque remanescente.
Uma das necessidades de modernização apontadas pelo estudo é a permissão, hoje inexistente na Lei de Gestão das Florestas Públicas (11.284 de 2006), para comercializar créditos decorrentes das emissões evitadas de carbono por manter as florestas intactas.
Para a pesquisadora Teresa Rossi, coordenadora de projetos do Instituto Escolhas, há duas causas para a baixa velocidade das concessões florestais no país até agora: falta de atratividade econômica no modelo de negócios e insegurança jurídica nas operações.
Outros pontos levantados: os contratos vedam a possibilidade de reequilíbrio econômico (frequentemente o inventário completo das áreas concedidas não corresponde às amostras florestais dos estudos pré-licitação); a infraestrutura construída pelo concessionário torna essas áreas vulneráveis a crimes de invasão de terras (mas a lei não especifica responsabilidades do poder público e das empresas no combate aos atos ilegais); há entendimentos divergentes em decisões dos reguladores (SFB, Ibama, Chico Mendes).
“A partir do momento em que existe um marco legal adequado para atrair investidores, muda o cálculo de viabilidade econômica das concessões. Abre-se um leque enorme de iniciativas sustentáveis”, argumenta a pesquisadora.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), acaba de apresentar um projeto de lei com essas modernizações. Fruto de discussões com representantes da sociedade civil, a proposta foi protocolada na sexta-feira passada e está em fase de coleta de assinaturas de outros nove parlamentares envolvidos no debate, que devem ser co-autores. “A ideia é ter uma nova lei de concessões florestais, valorizar a floresta em pé, fazer com que ela valha mais do que a floresta deitada”, diz.
De acordo com Agostinho, as concessões representam “uma alternativa à grilagem pura e barata”, principalmente em áreas da União não designadas. “Nós temos o dever de oferecer uma contraproposta às atividades ilegais. E a bioeconomia é uma dessas saídas”, afirma. O projeto deve receber requerimento para tramitar com urgência e, assim, passar na frente de outros na extensa fila de votações.
Procurada, a assessoria do SFB reconheceu que fatores como complexidade fundiária, falta de amadurecimento da política pública e questionamentos judiciais comprometeram o planejamento original de oferta das áreas. E se mostrou favorável à modernização da lei: “O [marco] atual impõe um excesso de passos administrativos para a concessão de novas áreas”.
Originalmente publicada em: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/12/02/arma-antidesmatamento-concessao-florestal-patina.ghtml
Publicação também feita no Valor Econômico impresso no dia 01/12/2020
Notícias relacionadas
Cuidar da Caatinga garante água para milhões de pessoas. Cuide dela antes que acabe.
Novos projetos de lei sobre fitoterápicos contam com subsídios técnicos do Instituto Escolhas
Vitor Marinho é o novo doutor em Economia da Cátedra Escolhas!
Martin Scorsese e as mudanças climáticas