Texto

Sistemas Alimentares

Notícias


Por Instituto Escolhas

05 novembro 2026

3 min de leitura

IBGE falha ao não incluir perguntas sobre bioinsumos no Censo Agropecuário de 2027

 

O Brasil ficará mais uma década sem estatísticas oficiais sobre o uso de bioinsumos em sua agricultura. O 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, que será realizado em 2027, não prevê nenhuma pergunta sobre a utilização e a produção de bioinsumos nos estabelecimentos agrícolas brasileiros. O censo seguinte deve ocorrer apenas em 2037.

Dada a importância e a urgência do tema, o Instituto Escolhas enviou, em outubro, uma carta ao IBGE solicitando a inclusão de um módulo dedicado aos bioinsumos no questionário do Censo ou, caso isso não fosse possível, de ao menos uma pergunta sobre o uso desses insumos nos estabelecimentos agrícolas. Na semana passada, o IBGE respondeu negativamente ao pedido.

Os bioinsumos são instrumentos fundamentais na transição da agricultura brasileira para modelos de produção mais sustentáveis e adaptados à crise climática. De origem vegetal, animal ou microbiana, eles são usados desde a nutrição das plantas até o controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

“É uma pena que o IBGE não tenha reconhecido a importância do tema. A construção de políticas públicas para uma agricultura mais sustentável depende de estatísticas robustas, que incorporem a questão dos bioinsumos”, diz Sergio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas. “Esse apagão de dados se estenderá por mais dez anos, com prejuízos enormes à agricultura brasileira.”

A recusa do IBGE contraria o espírito da Lei nº 15.070/2024, que institui o marco legal dos bioinsumos e destaca a necessidade de o país avançar nessa agenda, com vistas à autonomia produtiva e à resiliência climática. Além de terem baixo impacto ambiental e favorecerem a regeneração do solo, os bioinsumos contribuem para reduzir a dependência dos produtores brasileiros de insumos sintéticos importados. Hoje, mais de 85% desses insumos vêm de outros países.

Como enfatiza a carta do Escolhas, enviada também à Embrapa, ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e ao Ministério da Agricultura e Pecuária, a inclusão do tema no Censo Agropecuário contribuiria também para fortalecer a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação (PD&I) nacionais.

“Alguns levantamentos indicam que o mercado de bioinsumos está em expansão, mas precisamos de estatísticas mais robustas e abrangentes, que respondam a questões fundamentais. Quantos estabelecimentos utilizam bioinsumos? Em quais culturas? Para que finalidades?”, questiona o diretor do Instituto Escolhas. “É compreensível que os censos anteriores não tenham incorporado o tema a seus questionários, pois era uma prática incipiente. Mas o novo censo será realizado em outra realidade, na qual os produtores enfrentam novos desafios, entre eles os decorrentes da crise climática.”

A importância da expansão do uso de bioinsumos ficou evidente em dois estudos publicados no ano passado pelo Escolhas sobre a produção de soja, a principal commodity agrícola do país. O primeiro estudo revelou que os produtores brasileiros precisam usar cada vez mais agrotóxicos e fertilizantes químicos para produzir a mesma quantidade de sacas. Trata-se de um modelo que está corroendo a renda no campo. Em 2013, eles precisavam de 11 sacas de soja para pagar os custos com sementes, agrotóxicos e fertilizantes por hectare. Em 2023, foram necessárias 23 sacas para dar conta dessas despesas.

O segundo estudo revelou que a principal razão para o aumento do uso de herbicidas na cultura da soja é a ampla adoção do chamado plantio direto incompleto, desacompanhado de procedimentos para a regeneração do solo, o que favorece a proliferação de plantas daninhas. Conforme mostrou o estudo, essa realidade pode mudar com a adoção do Sistema de Plantio Direto (SPD), que combina práticas integradas da agricultura sustentável e o uso de bioinsumos.

Potência agrícola, o Brasil tem todas as condições de assumir a dianteira global no desenvolvimento de bioinsumos. Um exemplo desse potencial é representado pela pesquisadora da Embrapa Mariângela Hungria, que recebeu no ano passado o “Nobel da Agricultura” (World Food Prize) por suas contribuições para o desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura.

Instituto Escolhas
Opções de Privacidade

Este site utiliza cookies para colher informações analíticas sobre sua navegação. As informações dos cookies ficam salvas em seu navegador e realizam funções como reconhecer quando você retorna ao nosso website e ajudar nosso time a entender quais seções de nosso website são mais interessantes e úteis.