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Notícias da Cátedra
Por Instituto Escolhas
08 maio 2018
5 min de leitura
Escolhas recebe bolsistas da Cátedra para apresentação de temas e resultados de projetos
Realizado no Insper, evento reuniu estudantes selecionados em 2017 e 2018 para discutir suas pesquisas
O programa de bolsas da Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente foi lançado no final de 2016 pelo Instituto Escolhas com o objetivo de incentivar a pesquisa na área das ciências econômicas que incorpore as questões socioambientais contemporâneas. Desde então, foram realizados dois editais, que contemplarem quatro pesquisadores de mestrado em 2017 e sete pesquisadores (quatro de doutorado e três de mestrado) em 2018.
Um levantamento apresentado pela coordenadora cientifica do Instituto, Natalia Nunes Ferreira-Batista, durante encontro realizado com os bolsistas, realizado segunda-feira (7/5), na sede do Insper, em São Paulo, mostrou que, entre 2010 e 2017, em 21 centros de pós-graduação voltados para a área de economia, das 4.279 dissertações e teses defendidas, apenas 226 (ou 5,28%) tinham ligação com a área ambiental, o que representa uma média de 28 por ano. Com 11 bolsas concedidas em três anos (2017-2019), o programa de bolsas do Escolhas terá uma colaboração equivalente a 4,87% das dissertações e teses sobre economia e meio ambiente defendidas no país nesses oito anos.
“Queremos contribuir para aumentar a quantidade e a qualidade dos estudos na área e que a bolsa possa ser um incentivo para que novos pesquisadores se interessem pelo tema”, disse o economista Rudi Rocha, presidente do Conselho Científico do Escolhas.
Para Sergio Leitão, diretor executivo do Escolhas, o desafio do programa é estimular jovens estudantes de economia a se voltarem também para as questões ambientais, focadas no desenvolvimento sustentável do país. “Nós entendemos que o objetivo da Cátedra está sendo bem cumprido. Hoje estamos colhendo os resultados da primeira safra e temos a oportunidade de receber novos estudantes. É gratificante poder reunir os bolsistas dos dois editais e ver os projetos tomando forma”, afirma.
O objetivo do encontro foi que os bolsistas apresentassem seus temas de estudo e metodologia e conhecessem os projetos dos colegas, possibilitando a criação de bases para uma rede de troca de informações e possíveis colaborações.
Victor Simões, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA-USP), trabalhará em seu mestrado a relação entre comércio internacional e meio ambiente. A ideia da pesquisa é entender e relacionar como a produção das empresas gera impactos sobre o bem-estar e a saúde dos habitantes. Ainda no contexto das companhias, a mestranda Tayane Renata, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), pretende criar, em sua pesquisa, um Índice de Emprego Verde para os 27 estados brasileiros. A bolsista da Cátedra estuda o desenvolvimento regional sustentável no Brasil por meio da economia verde e quer comprovar se a criação de empregos verdes tem impacto na redução da pobreza no país. Já a também mestranda Gabriela Mota, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) abordará questões como a precificação do carbono na pecuária brasileira e a capacidade de mitigação de emissões de tecnologias como a produção integrada e o confinamento.
Na área de doutorado, Yuri Cesar, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fará uma análise macroeconômica sobre como uma ampla política ambiental de cunho fiscal afeta o ciclo econômico, abordando questões ligadas a impostos sobre emissões de gases de efeito estufa (GEE), sobretudo no setor energético. Também no campo de energia, Tiago Barbosa, da Esalq-USP, está estudando os impactos econômicos da matriz energética brasileira que vem sendo delineada para o país nos próximos anos. Ele busca compreender quais serão os impactos econômicos e em termos de emissões conforme as fontes escolhidas em diferentes regiões do país.
O estudo de Elis Braga Licks, também da Esalq-USP, buscará responder qual é o valor da água utilizada na produção de cana-de-açúcar nas regiões de Sertãozinho, Piracicaba, Jaú, Catanduva, Assis e Araçatuba, no Estado de São Paulo. Para completar os trabalhos a serem desenvolvidos por doutorandos, Denize Miriam, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (Fearp-USP), analisará o nível de subsídio da tarifa de transporte urbano na cidade de São Paulo do ponto de vista do bem-estar social, considerando externalidades como a poluição e o congestionamento. A sua proposta é estudar em qual medida subsidiar o transporte público urbano na cidade é uma boa medida. Segundo a pesquisadora, atualmente, 90% da verba de investimento em transporte no município é gasto em subsídio.
Resultados
Selecionados para o primeiro edital do programa, os bolsistas Ricardo Vale, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FEARP-USP), Bruno Souza (FEA-USP) e Jaqueline Gelain (Esalq-Usp) apresentaram os resultados de suas dissertações.
O trabalho de Vale, intitulado O custo da imobilidade em São Paulo, que será defendido no final do mês, mostra que 89% das viagens com motivo de trabalho na cidade de São Paulo têm atraso, em relação a um percurso sem congestionamento, com um tempo médio de atraso de 33%. Segundo o pesquisador, o custo anual disso para o bem-estar da população do município é de R$ 7,3 bilhões.
A pesquisa de Souza, que aborda a produção agrícola e as mudanças climáticas, traz a criação de dois cenários para medir esses impactos na agricultura brasileira. Foram estudadas seis espécies – cana, soja, milho, feijão, café e laranja – e todas mostram queda na produtividade até o final do século, tanto em cenário otimista quanto pessimista de aumento de temperatura. No estudo regional, os estados do Norte e Nordeste são os que perderão menos PIB, seguido por Sul e Sudeste. O Centro-Oeste é a região que mais perde. O principal resultado aponta que o custo das mudanças climáticas para o país com essa perda de produtividade será de R$ 646,9 bilhões até 2100, no cenário otimista, até R$ 3,7 trilhões, no pessimista.
Já a tese de Gelain, defendida no início do ano, traça uma análise do custo-benefício da exportação de água virtual no setor agropecuário brasileiro, ou seja, a água incorporada em um produto durante o seu processo de produção – mais especificamente em relação aos alimentos, que são os que mais agregam água ao longo de sua cadeia produtiva. A partir dos resultados, o estudo revela que o Brasil é um grande exportador de água virtual agrícola, mas que essa exportação entre 2002 e 2016 representou mais benefícios do que custos para o país.
A conselheira científica do Escolhas Sandra Paulsen, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), exortou os pesquisadores a serem ousados em seus trabalhos, “para que possamos avançar em áreas que, na economia, ouvimos que não existem, não são fáceis, não são possíveis. Até pouco tempo, a economia comportamental, por exemplo, não existia. Precisamos de atrevimento para demonstrar que é possível demonstrar os custos ambientais”.
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