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Por Instituto Escolhas

29 janeiro 2026

3 min de leitura

9 propostas para o Brasil liderar o mercado global de fitoterápicos

 

Apesar de ser um dos países mais ricos em biodiversidade, o Brasil tem uma participação inexpressiva no mercado global dos medicamentos à base de plantas – 0,1% de um setor que movimentou US$ 216,4 bilhões em 2023. Estudo realizado pelo Instituto Escolhas, conduzido em conjunto com o Einstein Hospital Israelita, aponta os entraves ao desenvolvimento do setor e apresenta nove propostas que podem levar o Brasil à liderança global do mercado de fitoterápicos.

Se implantadas, essas medidas podem dar ao Brasil um novo papel na cadeia mundial dos fitoterápicos. Hoje, o país se limita a exportar plantas in natura, produtos de baixo valor agregado, e a importar extratos vegetais e insumos para fabricação dos medicamentos. As importações superam as exportações em todos os elos da cadeia produtiva, e o déficit real pode ser bilionário.

A dimensão financeira desse problema fica clara nas trocas comerciais com a Alemanha, que é referência na produção e comercialização de fitoterápicos.

“Exportamos matéria-prima e importamos inovação. Temos um potencial enorme para escaparmos dessa lógica e agregarmos valor à indústria brasileira de fitoterápicos”, afirma Rafael Giovanelli, gerente de Pesquisa do Instituto Escolhas. “Com nossa riqueza natural, não podemos nos conformar com o fato de termos um mercado quase quinze vezes menor do que o alemão.” Em 2023, os medicamentos à base de plantas movimentaram US$ 2,5 bilhões na Alemanha, contra U$ 170 milhões no Brasil.

Um dos problemas identificados pelo estudo, lançado nesta quinta-feira (29), é a fragmentação do ecossistema de pesquisa e inovação. As pesquisas acadêmicas para descoberta de espécies com potencial terapêutico não resultam em medicamentos fitoterápicos.

A falta de incentivos públicos é outro fator que dificulta o crescimento do mercado de fitoterápicos. As parcerias entre indústria e poder público têm sido, por exemplo, insuficientes. O Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), que tem obtido êxito na produção de medicamentos alopáticos, não contempla a fitoterapia em seus instrumentos estratégicos.

As compras públicas feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por sua vez, não têm sido utilizadas para fomentar a demanda de fitoterápicos. Em 2024, foram registrados no país apenas 48.537 atendimentos médicos que utilizaram fitoterápicos. O desinteresse público fica também evidente no montante orçamentário destinado ao SUS. Entre 2012 e 2025, o apoio ao uso de plantas medicinais e fitoterápicos recebeu apenas R$ 186,18 milhões, o que coloca o item no último lugar na lista de prioridades do sistema público de saúde.

“O comércio global deve movimentar US$ 437 bilhões em 2032. Temos todas as condições para obter uma fatia expressiva desse mercado”, complementa Giovanelli.

Conheça abaixo as nove propostas que podem tornar o Brasil líder mundial dos medicamentos fitoterápicos:

1 – Integrar a descoberta de novas espécies vegetais com o desenvolvimento de novos medicamentos.

2 – Estimular a realização de estudos clínicos sobre os efeitos de fitoterápicos por meio de editais de fomento.

3 – Utilizar os Laboratórios Farmacêuticos Oficiais (LFOs) para produção de fitoterápicos.

4 – Centralizar a compra de medicamentos fitoterápicos pelo Ministério da Saúde e distribuir para estados e municípios.

5 – Incluir medicamentos fitoterápicos no Programa Farmácia Popular do Brasil (PFPB).

6 – Estimular o uso de medicamentos fitoterápicos por meio de sua inclusão em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas e em Recomendações de Uso do Conselho Federal de Medicina (CFM).

7 – Inserir disciplinas de fitoterápicos nas graduações de medicina.

8 – Criar uma coordenação da política industrial de fitoterápicos no âmbito do MDIC.

9 – Fortalecer as Farmácias Vivas como componente estratégico de abastecimento e acesso.

 

Para saber mais sobre cada uma das propostas, clique aqui e leia o Sumário Executivo do estudo Fitoterápicos: o que o Brasil precisa fazer para liderar esse mercado.

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