Programa de bolsas do Escolhas tem sua primeira mestre

Jaqueline Gelain com os membros da banca

Jaquelini Gelain defendeu tese de mestrado desenvolvida no Departamento de Economia da Esalq/USP

A economista Jaquelini Gisele Gelain defendeu ontem (26/2) sua tese de mestrado Análise do Custo-benefício da Exportação de Água Virtual no Setor Agropecuário Brasileiro, desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), em Piracicaba. A nova mestre em Economia Aplicada é a primeira bolsista do Programa de Bolsas da Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente a defender seu título. A banca avaliadora contou com a participação de seu orientador Alexandre Nunes de Almeida, da Esalq-USP, e Humberto Spolador, também da Esalq-USP, além de Márcia Istake, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e Ariaster Chimeli, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA-USP), que participaram remotamente.

O objetivo de Gelain foi analisar o custo-benefício das exportações de água virtual (quantidade total de água utilizada no processo de produção agropecuária ou industrial) realizada pelo Brasil por meio de dez produtos agropecuários, agrupados em cinco grandes categorias: açúcar, café, milho, soja e boi. Para chegar aos resultados, pesquisou a quantidade de água virtual em cada um dos produtos, em que estados são produzidos e o valor da água em cada estado, incorporando esse valor ao custo de produção. O valor de referência para a água utilizado por Gelain é o valor de uso e não o valor da água como recurso natural limitado.

O resultado mostra que o país exportou, entre 2002 e 2016, 2,5 trilhões de metros cúbicos (m3) de água virtual embutida nesses produtos (o que equivale a 1 bilhão de piscinas olímpicas cheias), e que ainda assim o país angariou mais benefícios do que custos com essas exportações.

A economista destaca, porém, que o custo da água é subdimensionado no Brasil. Há estados, como o Paraná, em que os agricultores são isentos de cobrança, ou outros que ainda não possuem legislação vigente para tanto. O trabalho identificou o valor médio nacional para a água virtual como sendo R$ 0,01004/m³. Gelain também buscou o preço da água em outros países, a partir de uma revisão sistemática da bibliografia internacional existente sobre o tema, conseguindo mapear valores para 12 países. A partir dessa análise, a pesquisadora identificou que o Brasil e o Irã possuem os menores valores para a água.

Gelain afirma que a precificação adequada da água pode colaborar para uma utilização mais consciente desse recurso natural “O preço da água pode ser um incentivo de conservação. Tendo um valor muito baixo, seu uso passa a ser irracional”, afirma.

Entre os dados apontados no estudo está que o Brasil é o país com a maior disponibilidade de água entre seus principais parceiros comerciais para os produtos estudados, embora estes também sejam países com bastante disponibilidade hídrica. A produção de carne bovina é a que mais contém água virtual (23.895 m3/t), embora a soja, cujo volume médio de água virtual é de 2.197 m3/t, seja a que exporta o maior volume por responder por mais de 50% da exportação entre esses produtos.

O estudo mostra, também, que o país não é particularmente intensivo na produção de água virtual em seus produtos em relação aos demais países. No caso da soja, produz com menos água do que China, Espanha e Tailândia, e é equivalente a França e Holanda. O Brasil produz com menos água do que seus principais importadores a cana-de-açúcar (Argélia, Bangladesh, China, Índia e Rússia) e café (Alemanha, Bélgica, Estados Unidos, Itália e Japão).

O Escolhas disponibilizará a tese completa em sua Hub de Estudos assim que for liberada para publicação.

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