Pedágio urbano ajuda a reduzir congestionamento nas cidades

Pesquisa afirma que a aplicação de taxas sobre veículos pode diminuir escolha por esse modal

A Região Metropolitana de São Paulo vem sofrendo há algum tempo com os enormes congestionamentos e os problemas gerados por eles, como poluição, perda de produtividade e falta de bem-estar. De acordo com o estudo Demanda por transporte na Região Metropolitana de São Paulo e política de pedágio urbano para redução de congestionamento, nunca houve uma política que tentasse solucionar o problema a partir de sua causa: a não internalização de custos externos por usuários de carros, ou seja, ao optar pelo uso do transporte individual há apenas o custo privado – inferior aos custos sociais. Dessa forma, a pesquisa afirma que é necessário instituir uma política de pedágio urbano para que os motoristas internalizem os custos gerados por eles para a sociedade – o que permitiria, ainda, a geração de receitas para investimento nos sistemas de transportes da cidade.

Segundo o estudo, o pedágio urbano pode ajudar a reduzir as externalidades causadas sobre uso das vias – vistas como um bem público. Sendo assim, propõe a adoção de tarifas sobre o uso das vias em horários de pico. Os resultados do estudo mostram que as viagens são sensíveis a aumento de custo e tempo: um aumento de R$ 1,00 no custo do automóvel reduz em 6,18% a probabilidade de escolha desse modal, aumentando em 2,53% as viagens a pé ou bicicleta, 2,18% as viagens de ônibus e 1,16% as viagens de trilhos.

Um dos exemplos dos impactos do pedágio urbano pode ser visto na experiência vivenciada pelos cidadãos de Londres, na Inglaterra. Em 2003, a cidade adotou o London Congestion Charging (LCC): um sistema do tipo zona, como o rodízio municipal de São Paulo, no qual se paga uma taxa de 11,50 euros para circular dentro da área de restrição nos dias úteis. Com isso, em relação à mobilidade urbana, houve uma expressiva melhora: após o primeiro ano de operação do pedágio urbano, o congestionamento caiu 15%, em média, no horário de pico. Além da redução de congestionamento, o programa também visava ao aumento da velocidade dos ônibus, à geração de receitas para investimentos em transportes públicos e à melhoria da qualidade de vida na região central da cidade.

Já no Brasil, o carro ainda é considerado o meio de transporte ideal por 30% da população, segundo dados da pesquisa Mobilidade Urbana & Baixo Carbono, realizada pelo Ideia Big Data e encomendada pelo Instituto Escolhas e Instituto Clima e Sociedade (iCS). A criação do pedágio urbano ainda não é aceita pelos brasileiros: 57% dos três mil entrevistados pela pesquisa são contra o imposto para a circulação de carros nas regiões centrais das cidades.

Apesar da falta de políticas públicas que beneficiem o uso de coletivos e do forte investimento no transporte individual motorizado, a maior parte da população brasileira ainda busca melhorias nos sistemas de transportes públicos, e pretende votar em governantes que priorizem a recuperação de calçadas e praças (86%), construção ciclovias e ciclofaixas (82%) e aumento dos investimentos em trens e metrôs (82%).

Confira esse e outros estudos no Hub de Estudos do Escolhas: http://escolhas.org/hub-de-estudos/