Investimento em energia solar aponta crescimento de 0,47% no PIB

Estudo de bolsista da Cátedra Escolhas analisa impactos econômicos dos investimentos na geração de eletricidade no Brasil

Investir em energia solar pode elevar o PIB em 0,47% e trazer benefícios na geração de emprego e no consumo das famílias, especialmente na região Nordeste – que sediará a maior parte da expansão da matriz elétrica brasileira. Essa é a principal conclusão do estudo “Impactos econômicos e regionais dos investimentos na geração de eletricidade no Brasil”, desenvolvido por Tiago Diniz, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Selecionado para o segundo edital do Programa de Bolsas da Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente, Diniz apresentou sua pesquisa no 21ª Conferência Anual sobre Análise Econômica Global (GTAP), em Cartagena, na Colômbia, no início de junho, junto com o professor Joaquim Bento Ferreira-Filho, também da Esalq-USP.

Com o objetivo de promover a troca de ideias entre pesquisadores que conduzem análises acerca de questões econômicas globais, o congresso contou com diversas sessões de debates dedicadas às temáticas ambientais. “Apresentar e discutir o meu trabalho para um público tão qualificado e especializado é de uma importância única, pois foi possível verificar de que modo pesquisas similares estão sendo feitos ao redor do mundo. Isso só foi possível mediante a concessão da bolsa de estudos do Escolhas, sobretudo porque estamos em um momento em que os incentivos e financiamentos para estudantes e jovens pesquisadores são restritos”, afirma Diniz. “Além disso, o Escolhas tem empreendido esforços contínuos na elaboração de estudos técnicos com rigor científico e isenção ideológica para a avaliação socioeconômica das políticas concernentes ao meio ambiente. Isso ajudar a elevar o nível do debate e a fornecer argumentos qualificados às tomadas de decisões”, completa.

O estudo analisa os impactos econômicos dos cenários de expansão da matriz elétrica propostos pelo Plano Decenal de Expansão de Energia 2026 (documento informativo com indicação das perspectivas de expansão futura do setor de energia sob a ótica do governo até 2026), tendo como foco dimensionar as possíveis alterações no PIB, investimentos, consumo das famílias, empregos, salários, além de analisar os impactos do Brasil dobrar a capacidade instalada em geração eólica e aumentar substancialmente a capacidade instalada para a fonte solar. Diniz explica que, para o estudo, foi utilizado o cenário com menor intervenção como linha de base para verificar quais os impactos econômicos oriundos de diretrizes políticas em outros cenários (restrição para novas usinas hidrelétricas e maior inserção da geração solar). Além do aumento no PIB, os resultados também mostram que os trabalhadores das classes de renda mais baixas são os mais beneficiados, evidenciando consequências distributivas das diretrizes políticas.

Para o bolsista, “o trabalho tem evoluído de forma satisfatória”. Ele conta que foi desenvolvido um modelo regional, com um módulo para o setor elétrico, que contempla oito tipos de geração em nível regional. “Além da simulação da minha tese, essa ferramenta permite avaliar cenários distintos daqueles do PDE 2026. Em suma, é possível verificar os impactos econômicos e regionais da implementação de uma determinada matriz elétrica”, afirma.

De acordo com Diniz, os resultados parciais já evidenciam que, a depender do “mix” que o país adotar para suprir sua demanda por eletricidade e cumprir seus compromissos climáticos-ambientais, os impactos econômicos e, sobretudo, regionais são distintos. “Isso traz à tona implicações importantes das políticas energéticas e evidencia uma interface que merece ser melhor estudada e aprofundada para optarmos por políticas equilibradas e que tragam os melhores benefícios possíveis para a sociedade. O trabalho tem sido bem recebido na comunidade acadêmica e a nossa expectativa é de que os formuladores de políticas energética e econômica também tenham interesse em seus resultados”, completa.