Greve dos caminhoneiros, o que aprendemos?

Foto: Pablo Jacob

Boletim do ICS, Instituto Clima e Sociedade, destaca reflexão do Instituto Escolhas que relaciona a greve dos caminhoneiros com o planejamento de um imposto sobre o carbono e aponta soluções ao setor de logística e levanta pontos importantes a serem considerados neste debate

Depois da greve dos caminhoneiros, seria razoável falar em imposto sobre o carbono no Brasil? Foi partindo desta pergunta que o Instituto Escolhas fez uma análise do sistema de transportes de cargas no país para entender quais lições podem ser aprendidas a partir do movimento que paralisou a economia do país por quase duas semanas.

O episódio nos convida para uma reflexão sobre a dependência do país em relação aos caminhões, ao óleo diesel e seus impactos nas mudanças climáticas. Desafiando lideranças para uma discussão sobre como fugir da solução simples, o caminhão e o diesel, e investir em outras fontes de energia e modais que ampliem as opções de como as mercadorias podem chegar até nossas casas.

Em 2015, o Instituto Escolhas publicou o estudo Impactos Econômicos e Sociais da Tributação de Carbono no Brasil apontando que um imposto sobre as emissões vindas da queima de combustíveis fósseis produziria uma demanda por fontes renováveis de energia.

O estudo ainda simula que uma retração na economia causada pelo implemento da nova tributação sobres as emissões seria compensada  com folga a partir de uma simplificação de outros impostos, como o PIS/Cofins. Os principais resultados indicam que esse mecanismo produziria um aumento no PIB de 0,47%, geração de 532 mil postos de trabalho e um aumento de R$ 5,2 bilhões na arrecadação.

A greve traz lições importantes a serem observadas ao planejar uma taxa sobre emissões, entre elas, podemos destacar que  cobrança sobre o diesel deve ser tratada com cuidado. É evidente a importância estratégica do transporte rodoviário para a economia nacional. Sabemos que alternativas como ferrovias ou eletrificação dos caminhões exigem altos investimentos e de longo prazo. Isso só vai acontecer se deixarmos de subsidiar os combustíveis fósseis e passarmos a investir seriamente na construção de uma economia de baixo carbono.

A humanidade precisa criar limites às emissões de gases do efeito estufa e o subsídio governamental à conta do consumo do diesel custará caro demais para a sociedade brasileira e o clima.

Clique aqui e confira na íntegra o Policy Brief.

 

Sergio Leitão

Diretor do Instituto Escolhas