Estudo quer medir aumento da frota de carros movidos a gás natural

Expansão dessa fonte pode fazer com que oferta de outros combustíveis fique estável

O primeiro Programa de Bolsas do Instituto Escolhas contará com a participação de quatro estudantes de mestrado para o desenvolvimento de estudos dentro do contexto de economia e meio ambiente. O economista Roberto Amaral, um dos bolsistas selecionados, é da Fundação Getúlio Vargas e desenvolverá a pesquisa Veículos Movidos a Gás Natural no Brasil: Consequências para o Mercado de Combustíveis, cujo objetivo é medir o aumento da frota de carros que utilizam gás natural veicular (GNV) e o impacto que isso gera em outros combustíveis.

De acordo com Amaral, apesar do Brasil ser o país com a segunda maior frota de veículos movidos a GNV no mundo, perdendo somente para a Argentina, os estudos sobre o tema ainda são muito restritos. Por essa razão, sua pesquisa objetiva analisar o impacto sobre os demais combustíveis. “Ao utilizar o GNV, o preço de combustíveis como o etanol e a gasolina diminuirão, de forma que haverá uma estimulação da demanda desses combustíveis também. Haverá, no entanto, um efeito marginal quanto as emissões de poluentes, mas isso também pode ser interessante para fazermos simulações futuras das emissões no Brasil”, conta Amaral. “Como o GNV é mais barato, as pessoas podem deixar de utilizar a gasolina e o etanol, fazendo com que a oferta fique estável e o preço dos outros combustíveis tenha uma queda”, completa.

Segundo o bolsista, além de oferecer um custo menor, o GNV também é um combustível mais limpo que a gasolina, o que causará menos danos ao meio ambiente. Apesar disso, Amaral reforça que o GNV, no entanto, não é um combustível renovável. “Esse é o ponto fraco. Entretanto, por ser muito mais barato, você pode abastecer com GNV e investir o dinheiro economizado – na comparação com os demais combustíveis –, para fazer política ambiental em outra ponta”, afirma. Ele conta que, além do custo do combustível, é preciso pagar pela instalação do botijão e a taxa de regularização. “Você tem, ainda, custos que não são monetários como, por exemplo, o espaço que se perderá no porta-malas do veículo. Mas é importante olhar para os benefícios também. Você paga menos IPVA, tem mais segurança e menos emissões”, explica.

Amaral afirma que a bolsa de estudos será importante especialmente no fornecimento de insumos nas áreas de economia e meio ambiente. “A bolsa permitirá que o meu trabalho atenda tanto as demandas acadêmicas quanto as práticas, de forma a gerar resultados que possam ser melhor utilizados para futuras simulações de impacto ambiental para o Brasil”, conta.

Programa de Bolsas

O primeiro Programa de Bolsas – parte integrante da Cátedra Economia e Meio Ambiente – realizado pelo Instituto Escolhas, recebeu diversos projetos de pesquisa, os quais foram encaminhados para uma banca avaliadora, responsável pela seleção dos candidatos à bolsa.

A banca, que avaliou os projetos, definindo os bolsistas, foi composta por Lígia Vasconcellos, diretora Científica do Instituto Escolhas, Rudi Rocha, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro do Conselho Científico do Instituto Escolhas, Priscila Borin Claro, do Insper, Fernanda Estevan, da Universidade de São Paulo (USP), e Eduardo Souza-Rodrigues, da Universidade de Toronto. Foram selecionados quatro estudantes que desenvolverão projetos nas áreas de mobilidade urbana, combustíveis, produtividade agrícola e água virtual.

O programa, realizado em parceria com o Insper e patrocínio do Itaú, tem como finalidade incentivar a formação de profissionais que desenvolvam pensamento crítico e pesquisa de excelência sobre as questões socioambientais contemporâneas, a partir da abordagem das ciências econômicas.

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