Estudo quer descobrir como mudanças na produtividade agrícola afetam economia

Projeto de Bruno de Souza é um dos selecionados no primeiro edital de bolsas da Cátedra

Formado pelo Insper e mestrando na Faculdade de Economt ihia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Bruno Santos de Souza, 23, está desenvolvendo um projeto para descobrir quais são os efeitos das alterações na produtividade agrícola sobre a economia brasileira. Bruno é um dos estudantes selecionados no primeiro edital do Programa de Bolsas da Cátedra Economia e Meio Ambiente.

Ainda no Insper, Bruno trabalhou com a produtividade do capital humano e, desde aquele momento, desenvolveu interesse em estudar produtividade, mas a ideia ainda não estava madura. Foi quando que na USP, Bruno conheceu o professor professor Titular do Departamento de Economia da FEA, Eduardo Amaral Haddad, que, segundo ele, o “seduziu” a estudar os impactos da produtividade na economia.

“No segundo semestre do ano passado, fiz aulas com o professor Haddad e tive mais contato com ferramentas interessantes para meu estudo, mas ainda assim não tinha uma direção específica. Foi então que fiquei sabendo do edital de bolsas da Cátedra e me veio um estalo”. O estalo, diz Bruno, foi um trabalho desenvolvido pelo professor Eduardo Haddad na Colômbia, que mensurou o impacto econômico de uma seca extrema que aconteceu naquele país. “Na hora lembrei desse estudo e pensei: vou estudar a produtividade agrícola”.

Mudanças climáticas e economia

O objetivo do projeto é relacionar as mudanças climáticas projetadas por cientistas com as alterações da produtividade agrícola no Brasil e como essas alterações podem afetar a economia brasileira em diversos aspectos, como empregos, bem-estar social, preços etc. “Há uma literatura vasta sobre as alterações na agricultura e várias trajetórias de temperatura. Essa classe de modelos me permitirá simular os impactos de cada uma dessas trajetórias e identificar como as variáveis econômicas brasileiras vão se comportar em cada um dos cenários”. Outra possibilidade, conforme o estudante, é estudar eventos específicos, como desastres naturais, ou a seca que assolou o Brasil em 2014.

Até o momento, Bruno organizou estimativas para um modelo de equilíbrio geral e tirou uma fotografia da situação econômica brasileira em 2011, considerando todos os estados brasileiros e dividindo 68 setores econômicos, o que deverá ser a linha de base do estudo. “Estou trabalhando para ver como é a estrutura produtiva do Brasil em termos setoriais e regionais. Agora é buscar acrescentar a questão climática para avaliar as vulnerabilidades do setor”.

Programa de Bolsas: conheça os membros da banca avaliadora

O primeiro Programa de Bolsas – parte integrante da Cátedra Economia e Meio Ambiente – realizado pelo Instituto Escolhas, recebeu diversos projetos de pesquisa, os quais foram encaminhados para uma banca avaliadora, responsável pela seleção dos candidatos à bolsa.

A banca, que avaliou os projetos, definindo os bolsistas, foi composta por Lígia Vasconcellos, diretora Científica do Instituto Escolhas, Rudi Rocha, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro do Conselho Científico do Instituto Escolhas, Priscila Borin Claro, do Insper, Fernanda Estevan, da Universidade de São Paulo (USP), e Eduardo Souza-Rodrigues, da Universidade de Toronto. Foram selecionados quatro estudantes que desenvolverão projetos nas áreas de mobilidade urbana, combustíveis, produtividade agrícola e água virtual.

O programa, realizado em parceria com o Insper e patrocínio do Itaú, tem como finalidade incentivar a formação de profissionais que desenvolvam pensamento crítico e pesquisa de excelência sobre as questões socioambientais contemporâneas, a partir da abordagem das ciências econômicas.

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