Estudo aponta relação entre mobilidade urbana e bem-estar social

Pesquisa mostra que 19 dos 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo apresentaram uma piora relativa em suas posições no ranking de qualidade de vida ao considerar os aspectos de mobilidade.

O bem-estar da população está associado às questões de mobilidade de urbana, considerando que as dificuldades de acesso comprometem a qualidade de vida dos cidadãos. Essa é a premissa do estudo Acessibilidade e bem-estar: medindo algumas das privações da dimensão da mobilidade, listado no Hub de Estudos do Instituto Escolhas. Os resultados apontam que 19 dos 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) apresentaram uma piora relativa em suas posições no ranking de qualidade de vida ao considerar os aspectos de mobilidade.

Para comprovar os resultados, os pesquisadores do Curso de Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Vladimir Maciel, Maurício Fronzaglia, Paulo Scarano e Roberta Muramatsu, e a pesquisadora Mônica Kuwahara, da Universidade Federal do ABC, utilizaram três estratégias gerais. A primeira foi estabelecer indicadores de acessibilidade como aproximações das privações associadas à dimensão de mobilidade.

Um segundo conjunto de estratégias foi incorporar o indicador de acessibilidade a um índice sintético de bem-estar multidimensional, sensível à presença de desigualdades. A terceira estratégia buscou avaliar a eficiência da política pública na dimensão de transportes por meio de análise envoltória de dados, a qual confronta gastos municipais em transportes públicos e o TAI-M (Transport Acessibility Index for Municipalities, na sigla em inglês), que utiliza dados de tempo de deslocamento dos domicílios ao trabalho principal.

Ao avaliar os resultados, o trabalho revelou que, basicamente, os mesmos municípios da RMSP que têm sua posição no ranking piorada ao se acrescentar a dimensão acessibilidade são aqueles que se revelaram ineficientes nos gastos com transportes. Confira o estudo completo aqui.

Imobilidade em São Paulo

O crescente número de veículos registrados na cidade de São Paulo – próximo de 6 milhões de carros – é um dos indicadores abordados na pesquisa O Custo da Imobilidade Urbana em São Paulo, que está sendo desenvolvida por Ricardo Campante Vale, mestrando da USP Ribeirão Preto e bolsista da Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente. De acordo com Vale, a proposta de seu estudo é calcular a perda de excedente nos congestionamentos de São Paulo, ou seja, o que as pessoas perdem, em termos de trabalho ou lazer, por estarem presas no trânsito.

Vale explica que o congestionamento gera custos em diversos âmbitos, como o ambiental, pela poluição gerada, e o custo social, causado pela ociosidade que impede um melhor aproveitamento no trabalho e a realização de atividades que geram bem-estar. Além disso, dialogando com o estudo de acessibilidade, o trabalho de Vale aponta que morar longe dos centros também gera perda de qualidade de vida: quem mora na periferia normalmente viaja mais e, por isso, tem uma perda maior.

A segunda edição do Programa de Bolsas da Cátedra também contará com estudos sobre o tema. A doutoranda Denize da Silva, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (Fearp-USP), analisará o nível de subsídio da tarifa de transporte urbano na cidade de São Paulo do ponto de vista do bem-estar social, considerando externalidades como a poluição e o congestionamento. Saiba mais sobre os novos projetos da Cátedra clicando aqui.