Escolhas lança publicação sobre matriz elétrica brasileira

Objetivo do estudo é entender o impacto das fontes de geração elétrica sobre a economia e as emissões

O Instituto Escolhas acaba de lançar o sumário executivo do estudo Impactos de Mudanças na Matriz Elétrica Brasileira, que busca compreender o impacto de diferentes cenários de geração elétrica sobre a economia, emprego e as emissões de gases do efeito estufa (GEE) no Brasil. O estudo mostra que a opção por uma matriz elétrica focada em fontes renováveis traz impactos líquidos positivos para a economia no médio e longo prazo.

De acordo com Sérgio Leitão, diretor de Relacionamento com a Sociedade do Instituto Escolhas, o setor elétrico é um grande emissor de GEE em todo o mundo. Ele explica que, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a geração de eletricidade e calor foi responsável por aproximadamente 25% das emissões globais em 2010. “No Brasil, esse cenário respondeu por 7% das emissões em 2014, mas vem crescendo a participação de fontes com emissões de carbono na matriz elétrica nacional”, explica Leitão. A NDC brasileira (compromissos do país com a Convenção do Clima), no entanto, propõe uma transição para um sistema de energia com uma participação maior de energias renováveis até 2030. “É nesse sentido que o estudo, a partir da Plataforma Cenários Energéticos (PCE), organizada pela Avina, buscou entender o impacto de diferentes cenários”, completa Leitão.

Dentro do contexto das mudanças climáticas, portanto, é possível apontar sua forte ligação com o setor elétrico. Duas das maiores crises elétricas recentes no país (2001 e 2015) são consequências da falta de chuvas aliadas à falta de planejamento. Enquanto as hidrelétricas continuam apresentando desafios sociais e ambientais, os acidentes nucleares aumentam os custos com sua segurança. “Por conta disso, serão necessários avanços tecnológicos na geração eólica e solar para que essas energias ganhem ainda mais competitividade no país, contribuindo para que o Brasil cumpra as metas da NDC no âmbito da COP-21” afirma Leitão.

Outros aspectos importantes, como a geopolítica atual, também trazem novos desafios e a expectativa é que com estímulos dados pelo governo para o desenvolvimento de novas tecnologias limpas seja possível determinar o futuro da geração de energia no país. O estudo aponta que entre 2011 e 2014, a oferta interna de energia elétrica no Brasil cresceu 11%, passando de 531 TWh para 591 TWh. Uma característica marcante no período foi a redução da participação da hidroeletricidade, que diminuiu 12,8% no período (de 428 TWh para 373 TWh). Essa redução pode ser compreendida pelo período prolongado de seca em algumas regiões do país e o atraso da entrada em operação de novas usinas hidrelétricas.

Principais impactos

De acordo com dados do estudo, a transição para uma matriz elétrica com menos emissões passa, necessariamente, por maiores investimentos. Dessa forma, os impactos dos cenários de eficiência energética impulsionam mais a economia. No que se refere ao PIB e à geração de emprego, os efeitos dos cenários sobre a economia, apresentados no estudo, estão diretamente ligados ao nível de investimento necessário para alcança-los.

Todos os cenários em 2030 e 250 apontam para um crescimento maior do PIB e do nível de emprego. Além disso, conforme o nível de investimento cresce, os impactos sobre a economia são maiores. Quanto às emissões, todos os cenaristas projetam quedas nas emissões de GEE no longo prazo.

Cálculos

Os cenários da PCE foram inseridos pelo Instituto Escolhas em uma matriz insumo-produto (MIP) para a economia brasileira, com ano base 2014. Essa metodologia permite estimar qual será a variação da produção, empregos e emissão GEE em decorrência dos investimentos necessários para gerar as matrizes elétricas propostas pelos cenaristas.

Cada cenarista apresentou duas propostas e impactos estimados, sendo uma para um cenário Business as Usual (BAU) e outra para um cenário que refletisse um Fator de Eficiência Energética (FEE). O horizonte de projeção dos cenários foi 2050, tendo como base valores de 20135, e os resultados foram divulgados em 2015.

Quatro equipes participaram da construção da PCE, sendo elas: o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), a Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (SATC), com apoio da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM0, Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), e Greenpeace Brasil.

Confira a publicação aqui.