Escolhas e EPE reúnem representantes do setor elétrico para discutir estudo sobre fontes de geração no país

Luiz Barroso, presidente da EPE

O Instituto Escolhas e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) realizaram terça-feira (3/4), na sede da EPE, no Rio de Janeiro, o segundo workshop Quais os reais custos e benefícios das fontes de geração elétrica no Brasil, no qual foram apresentados os resultados parciais do estudo de mesmo nome que está sendo desenvolvido pelo instituto, em parceria com a EPE e apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS). “O evento teve o objetivo de mostrar, para representantes do setor e interessados, como o estudo está sendo realizado e os dados parciais disponíveis, para tirar dúvidas e colher sugestões que possam ajudar a aperfeiçoar o trabalho ainda na fase de produção”, disse Sergio Leitão, diretor-executivo do Escolhas. “Essa é uma prática que vem sendo adotada pelo instituto em todos os seus estudos, com ótimos resultados”, completou.

O estudo, que deverá ser lançado no segundo semestre, fará uma projeção dos reais custos e benefícios das principais fontes de energia usadas no país (eólica, biomassa, solar, usinas hidrelétricas, pequenas centrais hidrelétricas e termelétricas), tendo como referência o Plano Decenal de Expansão de Energia da EPE para 2026, documento que traz uma indicação das perspectivas da expansão futura do setor de energia sob a ótica do governo federal. Além disso, trará um cenário dos custos da expansão necessária para 2035. Segundo Bernardo Bezerra, da PSR – Energy Consulting and Analytics, consultoria que está desenvolvendo a pesquisa, o resultado permitirá à sociedade brasileira saber quanto vale e quais são os benefícios de cada uma das fontes de energia, considerando custos e benefícios para a operação do sistema elétrico e um cenário de maior inserção de fontes renováveis. “O estudo poderá ajudar na tomada de decisão sobre em quais fontes investir, levando em consideração o custo/benefício para o país”, explicou.

Para Luiz Barroso, presidente da EPE, o estudo terá grande impacto no setor. “Há pesquisas importantes que a EPE não tem as ferramentas para fazer, mas percebemos que existem organizações com os mesmos interesses e que podem colaborar, como o Escolhas, cujo lema é ajudar a sociedade a tomar decisões eficientes a partir de números. Esse trabalho se somará a outros que estamos fazendo, que apoiarão as deliberações brasileiras de investimento no setor elétrico”, disse. Roberto Kishinami, coordenador do Porftólio Energia Elétrica do iCS, avaliou que o setor, no país, está alinhado com as necessidades do mundo moderno e com o que a sociedade precisa, e que esse trabalho poderá colaborar no incentivo ao uso das fontes sustentáveis com base em informações concretas.

Luiz Eduardo Barata Ferreira, diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), um dos presentes ao workshop, ressaltou que a operação e o planejamento do setor elétrico estão trabalhando de forma integrada e que o estudo que está sendo desenvolvido é uma ferramenta importante. “Escolher entre dar segurança energética ou privilegiar os custos sempre foi uma decisão difícil. A questão é que precisamos dos dois, olhando para todas as fontes, vendo os benefícios de cada uma, com melhor resultado para o país”, disse.

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Sergio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas

O estudo Quais os reais custos e benefícios das fontes de geração elétrica no Brasil, deverá se somar aos demais estudos do Escolhas voltados para a área – Impactos de Mudanças na Matriz Elétrica Brasileira e Qual o impacto de zerar as emissões do setor elétrico no Brasil? -, com o objetivo de oferecer subsídios que colaborem para o país chegar a um futuro energético confiável e sustentável dentro de uma economia de baixo carbono.

O primeiro estudo, de 2016, faz uma análise dos impactos econômicos, ambientais e sociais que resultariam de diferentes propostas de cenários de energia idealizados para o Brasil. O segundo, de 2017, mostrou qual seria o impacto, também sob o tripé econômico, ambiental e social, do Brasil zerar suas emissões de gases de efeito estufa no setor elétrico. No novo estudo, a análise se aprofunda para os custos e benefícios da escolha de cada uma das fontes.

Antes do lançamento do trabalho, ainda haverá, entre o final de junho e início de julho, mais uma rodada de apresentação de resultados parciais.

Confira os vídeos de Luiz Barroso (EPE)Roberto Kishinami (iCS), e Bernardo Bezerra (PSR) e a galeria de fotos do evento.

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