Escolhas disponibiliza dados sobre desmatamento zero em forma de plataforma digital

Elaborada a partir de estudo sobre impactos do desmatamento zero no país, ferramenta oferece download gratuito de dados por meio de gráficos, mapas e tabelas

O Escolhas acaba de disponibilizar os dados do estudo Qual o Impacto do Desmatamento Zero no Brasil? na forma de uma plataforma digital, no site do Instituto. O objetivo é traduzir os resultados do estudo para uma linguagem mais acessível e disponibilizar seus dados para toda a sociedade. A ferramenta possui uma interface de fácil navegação, possibilitando a exploração de dados por meio de gráficos, mapas e tabelas. Nela, o usuário pode navegar pelos dados econômicos a partir das regiões e descobrir as projeções sobre o desmatamento por biomas.

O estudo, lançado no final de 2017, mostrou que se todo o desmatamento no Brasil, legal e ilegal, fosse cessado imediatamente, os impactos social e econômico no país seriam praticamente nulos, com uma redução de apenas 0,62% no PIB acumulado entre 2016 e 2030.

Segundo Jaqueline Ferreira, coordenadora institucional do Instituto, o Escolhas prioriza a ampla divulgação dos resultados dos seus estudos e faz isso por meio de diferentes ferramentas para atingir públicos distintos. “A interface que estamos lançando disponibiliza de forma rápida e a partir de uma linguagem simples e visual os dados do estudo. Esse esforço visa possibilitar que um público amplo, para além dos especialistas, explore os resultados. Assim como, disponibiliza também o download dos dados para os pesquisadores que queiram usá-los em suas próprias pesquisas”, afirma.

Dividida em duas vertentes, a plataforma – lançada com apoio da Climate and Land Use Alliance (CLUA) – traz os dados biofísicos, ou seja, sobre o uso do solo, gerados pelo estudo para embasar a modelagem dos cenários elaborados na publicação. Em um primeiro momento, para representar as terras públicas e privadas do Brasil, os pesquisadores elaboraram uma malha fundiária do território nacional. Posteriormente, buscou-se analisar as lacunas do Código Florestal, identificando déficits de áreas de preservação permanente (APP), reserva legal (RL) e áreas de vegetação nativa não protegidas pela lei, que ainda podem ser desmatadas. A partir disso, calculou-se as estimativas das taxas de desmatamento com base no ano de 2016 e auferiu-se uma classificação de aptidão agrícola das terras – que vai de 0 (menor aptidão) a 1 (maior aptidão) de acordo com as características do solo, relevo e clima –, para subsidiar a criação de cenários de desmatamento.

Os dados foram divididos pelos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica e são apresentados em um mapa, que traz informações sobre os déficits de APP e RL, bem como os estoques de vegetação nativa existentes. Na Amazônia, Pará e Mato Grosso lideram com os maiores déficits de APP, com 501.663 ha e 327.034 ha, respectivamente. O menor índice é do Amapá, com 1.282 ha. Além do mapa, os dados biofísicos também são apresentados por meio de gráficos, que trazem a situação da vegetação nativa e sua aptidão agrícola e o desmatamento projetado acumulado até 2030.

Resultados econômicos

Os dados macroeconômicos foram desenhados para cada cenário a partir de um Modelo de Equilíbrio Geral Computável (EGC). Foram considerados 110 setores de atividades, 110 produtos, 10 tipos de famílias classificadas de acordo com sua faixa de renda, 10 tipos de trabalhos classificados de acordo com a faixa salarial, 27 regiões ligadas por matrizes de comércio e 2 setores de margem (comércio e transporte). A base de dados do modelo foi atualizada até o ano de 2015. O período das projeções se inicia em 2016 e vai até 2030, gerando a linha de base para a economia do Brasil por meio de um crescimento tendencial.

Os dados foram separados pelos cenários desenvolvidos no estudo: DZAbs, em que todo o desmatamento é cessado imediatamente; DZ, que traz o desmatamento ilegal em terras públicas zerado até 2030 e o desmatamento em terras privadas na Amazônia e no Cerrado ocorrendo apenas sobre a vegetação nativa onde ele é permitido por lei e tenha maior aptidão agrícola; e DZ3, que difere do anterior porque considera que o desmatamento legal em terras privadas na Amazônia e no Cerrado seguirá a tendência atual, independentemente da sua aptidão agrícola. Sendo assim, a plataforma disponibiliza informações sobre variações percentuais de produção por produto (como bovinos, cana-de-açúcar, grãos etc.), variações do PIB, salários e consumo das famílias (2016-2030).

Todos os dados da plataforma estão disponíveis para download gratuito. Acesse: http://escolhas.org/dz/.