Emissões de CO2 subiram 1,4% em 2017

Dados de relatório da AIE mostram aumento no uso de combustíveis fósseis e alta na demanda por energia

De acordo com relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgado hoje (22/3), apesar do crescimento no uso de energias renováveis, foi registrado um aumento no consumo de combustíveis fósseis – geradores de emissões de carbono e principais responsáveis pelo aquecimento global. As emissões totais de dióxido de carbono (CO2) aumentaram 1,4% em 2017 após três anos de estagnação. Segundo o relatório, o aumento está associado à demanda por energia, que teve aumento de 2,1% – o dobro da procura em 2016. As informações são de matéria publicada pelo portal Diário de Notícias.

Ao segmentar o uso dos fósseis, o relatório mostra que o consumo total de petróleo avançou 1,6% em 2017, ultrapassando a média dos últimos 10 anos, em função do aumento do uso de transportes. O fóssil com maior índice de crescimento foi registrado no uso do gás natural, com 3%. Os Estados Unidos e a União Europeia contribuíram para o aumento das emissões, apresentando crescimento de 1,5% das emissões de CO2 – o equivalente a quase 50 milhões de toneladas.

Ainda de acordo com a AIE, a demanda global por petróleo deverá crescer mais rápido que o esperado em 2018, impulsionado por economias como Europa, EUA e Japão. Em relatório divulgado no início do mês, a AIE estima que a procura por petróleo crescerá 1,5 milhão de barris por dia (bpd) neste ano, chegando a 99,3 milhões de bpd.

Para o Instituto Escolhas, o uso de fontes de energias limpas é a chave para a construção de uma economia de baixo carbono. Em seu estudo Impactos Econômicos e Sociais da Tributação do Carbono no Brasil, o Escolhas aponta como seria a adoção de uma taxa de carbono de US$36/tCO2e sobre os combustíveis fósseis no Brasil, focado na manutenção da neutralidade da carga tributária, como solução para avançar no desenvolvimento sustentável do Brasil.

A neutralidade seria obtida pela simplificação de um dos mais complexos impostos existentes no Brasil, conhecido pela sigla PIS-Cofins. De acordo com o estudo, a Taxa de Carbono Neutra de US$ 36/tCO2e produz impactos positivos para a economia, com crescimento de 0,5 % do PIB, criação de 556 mil postos de trabalho e uma emissão evitada de 4,2 milhões de toneladas de CO2e2. Além disso, o imposto induziria o aumento do uso de fontes renováveis de energia ou, ao menos, de fontes fósseis que emitam menos por unidade de energia gerada.

Adicionalmente, o estudo aponta, ainda, que a instituição de um imposto sobre as emissões deveria vir acompanhada de outras políticas como, por exemplo, as de incentivo à inovação tecnológica e investimentos em infraestrutura que podem, inclusive, promover maior eficiência energética no país.