Custo do bem-estar dos deslocamentos a trabalho em São Paulo é de R$ 7 bilhões ao ano

Tese de mestrado de bolsista da Cátedra Escolhas mostra ainda a dependência que o tráfego de São Paulo tem dos aplicativos de navegação participativa

O custo social do tempo gasto no tráfego da cidade de São Paulo por parte das pessoas que se deslocam a trabalho é da ordem de R$ 7 bilhões por ano. Esse é o resultado da dissertação de mestrado “Os custos de bem-estar do congestionamento do trânsito na Região Metropolitana de São Paulo”, do economista Ricardo Campante Vale – bolsista da Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente. O trabalho foi defendido na quarta-feira (30/05), na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (FEA–RP). A banca avaliadora contou com a participação do orientador Claudio Ribeiro de Lucinda, da FEA-RP, e dos professores Ciro Biderman (EESP-FGV), Danilo Camargo Igliori (FEA–USP) e Rodrigo Menon Simões Moita (Insper).

A motivação para o estudo foi realidade observada na metrópole de São Paulo, a qual contabiliza 43.715 milhões de viagens metrô/dia e uma média de 1.472 km de congestionamento por dia. Esse fato implica em custos de tempo para a população que necessita ir e vir do trabalho todos os dias.

O ponto central do estudo de Ricardo Campante foi justamente calcular um valor para esse tempo gasto devido à lentidão do trânsito. Para isso, o economista partiu de um modelo de escolha modal de transporte, onde cada pessoa decide entre tipos diferentes de modos de locomoção: ônibus, trem ou metrô, carro, moto, táxi, caminhada, bicicleta e carona. Utilizando os dados da Pesquisa de Mobilidade Urbana da Região Metropolitana de São Paulo (2012) obteve o tempo gasto em deslocamento ao trabalho para cada individuo da amostra. O resultado foi que, no pico da tarde (17 às 19 horas), o tempo médio por viagem é de 69,3 minutos; enquanto que, entre no período fora do pico (21 às 5 horas), a duração média é de 56,5 minutos.

A partir de informações do Google Maps, foi possível estimar quantos minutos a mais cada viagem leva em relação a uma situação de fluxo livre nas vias. Campante estimou que o tempo de viagem seja aumentado em 33%, em média, e que 89% das viagens sejam afetadas. A monetização desse custo temporal do congestionamento está relacionada à renda dos indivíduos e a outras características pessoais, que determinam a disposição que cada um teria para pagar por menos minutos retidos no tráfego. Ao final, obteve que, em média, o valor do tempo é de R$ 14,88/hora, que equivale a um custo total da ordem de R$ 7,338 bilhões/ano.

O papel dos aplicativos

A dissertação de Campante traz também uma análise do papel que os aplicativos de navegação participativa estão exercendo sobre o trânsito de São Paulo. O bolsista examinou o impacto no congestionamento de uma falha generalizada ocorrida no aplicativo Waze em 23/10/2018. Combinando os dados de congestionamento com os valores de tempo auferidos pelo modelo de escolha modal, calculou que esse tipo de falha chega a triplicar os custos de bem-estar dos indivíduos em relação a um dia típico. Segundo o economista, esse resultado aponta como o tráfego da cidade de São Paulo hoje não pode ser analisado sem a ponderação da magnitude dos efeitos de massa dos aplicativos de navegação.