Bolsistas da Cátedra de Meio Ambiente mostram dados preliminares de pesquisas

Estudos abordam mobilidade urbana e uso de veículos a gás natural

O número de veículos em São Paulo cresce cada vez mais. No início deste ano, estimativas apontavam para a marca de 6 milhões de carros registrados na cidade. No estado, a perspectiva é de 0,7 carro por pessoa, segundo informou Ricardo Campante Vale, mestrando da USP Ribeirão Preto, durante o seminário Discussão de projetos de pesquisa em Economia e Meio Ambiente, promovido pela Cátedra Economia e Meio Ambiente, do Instituto Escolhas em parceria com o Insper, no início do mês, em São Paulo. Os dados fazem parte do estudo O Custo da Imobilidade Urbana em São Paulo, desenvolvido com bolsa do Programa de Bolsas da Cátedra.

“Você imagina que um carro comporta cinco pessoas, mas, em breve, teremos um carro por pessoa, ocupando um espaço que deveria ser economizado”, afirma. Vale explica que o congestionamento gera custos em diversos âmbitos, como o ambiental, pela poluição gerada, e o custo social, causado pela ociosidade que impede um melhor aproveitamento no trabalho e a realização de atividades que geram bem-estar. “Temos uma organização social em que todo mundo vai para a escola ou trabalho no mesmo horário, o que provoca um aumento de demanda por transporte. Quando isso ocorre, há um choque de custos, porque gera congestionamento e, com isso, o tempo até o destino é maior. O que o estudo propõe é calcular o bem-estar que o usuário perde nesse processo”, explica.

O bolsista ressalta que, com exceção de viagens curtas feitas a pé, mais de 50% dos deslocamentos são realizados por ônibus ou carros, ou seja, viagens que causarão congestionamento. “Quando uma pessoa sai de casa de carro para ir trabalhar, ela só consegue observar o seu próprio gasto; quanto vai pagar pelo deslocamento e o tempo que ficará no trânsito. Mas ela não tem noção do custo que está impondo aos outros. Se todo mundo sai ao mesmo tempo, os custos aumentam para todos”, afirma.

“Quando pensamos em morar longe do centro, a pergunta a ser feita é justamente qual é a perda de bem-estar de acordo com o local em que as pessoas estão morando. Uma das conclusões é que quem mora na periferia normalmente viaja mais e, por isso, tem uma perda maior”, conta. Essa observação dialoga com o estudo Quanto Custa Morar Longe?, em fase de finalização pelo Instituto Escolhas.

Para os próximos passos, Vale conta que vai usar recursos do Google Maps para estimar o tempo que o usuário passará no trânsito, a partir de coordenadas de origem e destino, de acordo com o horário em que o trânsito está fluindo e o horário em que há um congestionamento total. Além disso, o mestrando analisará o custo da imobilidade em São Paulo a partir da renda dos usuários. “Segmentando é possível saber quem está perdendo mais, se as pessoas mais ricas ou mais pobres, se as que moram mais longe ou mais perto do centro”, explica.

Aumento da frota a gás natural

Outro estudo que integra o Programa de Bolsas da Cátedra, apresentado durante o seminário, tem o objetivo de medir o aumento da frota de carros que utilizam o gás natural veicular (GNV), no Rio de Janeiro, e o impacto que isso gera em outros combustíveis. De autoria de Roberto Amaral, economista pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pesquisa se relaciona o fato com o tema de meio ambiente porque o GNV é um combustível mais limpo do que a gasolina e o diesel.

Amaral afirma que, apesar do Brasil ser o país com a segunda maior frota de veículos movidos a GNV no mundo, perdendo somente para a Argentina, os estudos sobre o tema ainda são muito restritos. “O aumento da frota GNV é como um choque de demanda no preço da gasolina. A partir de uma conversão para a utilização do combustível, o consumo da gasolina cairá. A estimativa é que isso ocorra porque a unidade energética do GNV é muito mais barata. Com a queda de preços, esperamos por um aumento da frota GNV”, afirma.

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