Brasil terá queda de produtividade agrícola até final do século, diz estudo

Trabalho realizado por bolsista da Cátedra Escolhas foi apresentado em congresso na Índia

O bolsista da Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente, Bruno Souza, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), apresentou sua dissertação no 12º Congresso Mundial da Regional Science Association International, que aconteceu na cidade de Goa, na Índia, no último dia 29 de maio. O trabalho mostra que o aumento de temperatura deverá reduzir a produtividade das principais culturas agrícolas do país.

Com o tema principal “Sistemas espaciais, integração social, desenvolvimento regional e sustentabilidade”, o congresso recebeu cientistas e pesquisadores do mundo inteiro para debater o desenvolvimento das regiões e seus desafios de longo prazo por meio de palestras, workshops e sessões temáticas. Para Souza, participar de um evento de grande porte como esse “foi de grande valia para o aprimoramento do trabalho, para a criação de contatos e o enriquecimento de experiências”.

A programação do congresso contou ainda com a sessão especial intitulada de “Quarenta e Quarenta: são 40 trabalhos apresentados por 40 pesquisadores com menos de 40 anos”. Durante a sessão, o bolsista apresentou sua pesquisa, que aborda a produção agrícola e as mudanças climáticas, com a criação de dois cenários para medir esses impactos na agricultura brasileira, e foi premiado como uma das melhores pesquisas apresentadas.

Com o estudo de seis espécies – cana, soja, milho, feijão, café e laranja –, Souza mostrou que todas as culturas indicam queda na produtividade no Brasil até o final do século, tanto em cenário otimista quanto pessimista de aumento de temperatura. No estudo regional, os estados do Norte e Nordeste são os que perderão menos PIB, seguido por Sul e Sudeste. O Centro-Oeste é a região que mais perde. O principal resultado aponta que o custo das mudanças climáticas para o país com essa perda de produtividade será de R$ 646,9 bilhões até 2100, no cenário otimista, e até R$ 3,7 trilhões, no pessimista.

“Os resultados da minha participação foram bastante animadores. Além de ampla interação com outros participantes, o evento também foi a minha primeira experiência em um congresso internacional”, declara.