Água virtual é tema de estudo apresentado por bolsista da Cátedra Economia e Meio Ambiente

Pesquisa traçará análise de custo-benefício da exportação de água virtual no setor agropecuário brasileiro

Selecionada para o Programa de Bolsas da Cátedra Economia e Meio Ambiente, parceria entre o Instituto Escolhas e o Insper, Jaquelini Gelain, economista pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), apresentou os resultados preliminares de seu estudo no início do mês, durante o seminário Discussão de projetos de pesquisa em Economia e Meio Ambiente, realizado em São Paulo.

Com seu estudo, Gelain busca traçar uma análise do custo-benefício da exportação de água virtual no setor agropecuário brasileiro, ou seja, a água incorporada em um produto durante o seu processo de produção – mais especificamente em relação aos alimentos, que são os que mais agregam água ao longo de sua cadeia produtiva.

Para o trabalho, a economista trabalhará com produtos como açúcar, café, milho, soja e boi. “O Brasil tem mais custos ou benefícios ao exportar esses produtos? A hipótese que norteará meu trabalho é que o país tem mais benefícios ao fazer essas exportações”, conta. Outra questão a ser respondida por Gelain é sobre quais políticas públicas poderiam ser elaboradas para haver uma melhor gestão da exportação dessa água. “Existem países que compram do Brasil, mas têm um alto valor de recursos hídricos e, em contrapartida, muitos países com baixa dotação de água importam muito pouco. A ideia é expandir o número de acordos comerciais para fazer um melhor direcionamento, principalmente para os países com poucos recursos hídricos”, explica.

Gelain explica que o objetivo principal de sua análise é apontar uma utilização mais consciente dos recursos, o que envolve a precificação da água. Segundo a economista, é preciso fazer a monetização da água para obter a relação de custo-benefício. “O preço da água pode ser um incentivo de conservação. Tendo um valor muito baixo, seu uso passa a ser irracional. Na Europa, por exemplo, existe muito subsídio para os agricultores e, por isso, a água é utilizada de forma indiscriminada, não há rigorosidade para economizar”, afirma.

O trabalho de Gelain será focado apenas na agropecuária, setor que mais consome água no país. Em julho, a bolsista apresentou o estudo sobre a água virtual exportada na região de Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), durante o XXIII Fórum Banco do Nordeste de Desenvolvimento e XXII Encontro Regional de Economia, no Ceará, Fortaleza.

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